Declaração ocorre após autorização de busca contra ex-secretário apontado como fonte de reportagens sobre uso de veículo do TJ pela família do ministro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou nesta quinta-feira (13) que sua função de magistrado o impede de participar cotidianamente de debates públicos e que, por isso, precisa conviver em silêncio com críticas que considera injustas. Em publicação nas redes sociais, ele escreveu: “Como já tive oportunidade de esclarecer, a minha atual função de juiz impede-me de participar cotidianamente de ‘apaixonados’ debates públicos. Isso inclui suportar calado agressões e injustiças, assistir a distorções monumentais quanto a fatos, acompanhar perplexo a exposição de interpretações absurdas”.
O ministro não citou nenhum episódio específico. A manifestação, no entanto, ocorre em meio a críticas dirigidas ao STF após o ministro Alexandre de Moraes autorizar busca contra o ex-deputado e ex-secretário Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens sobre suposto uso irregular de veículo do Tribunal de Justiça pela família de Dino.
Segundo o advogado de Cutrim, José Berilo de Freitas Leite, a identificação do cliente como fonte ocorreu após a quebra de sigilo e a análise de aparelhos telefônicos do jornalista. Luís Pablo já havia sido alvo de busca em março, em inquérito aberto a pedido de Flávio Dino, que alegou ser vítima de perseguição por parte do comunicador.
A busca contra Cutrim foi solicitada pela Polícia Federal, teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República e foi autorizada por Alexandre de Moraes. A medida reacendeu o debate sobre a garantia constitucional do sigilo da fonte jornalística.
Na publicação desta quinta, Dino afirmou que, antes de ingressar no STF, podia se manifestar publicamente com mais liberdade, o que hoje só ocorre de forma excepcional. “Faz parte do ônus do meu ofício. E assumo tal ônus com gosto, em face da responsabilidade com que exerço a jurisdição”, declarou.
Sem se referir diretamente às críticas recentes, o ministro encerrou a publicação afirmando que sua trajetória profissional é sua principal defesa: “De todo modo, a minha biografia e a minha atuação profissional, em 37 anos de serviço público, são a minha maior defesa”.











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